De Advogada para Desenvolvedora de Software

Atualizado: 27 de nov. de 2020

Patricia é Desenvolvedora de Software na Loft, nessa entrevista, ela nos conta como se tornou desenvolvedora de software, mesmo não sendo de "exatas" e nunca ter programado antes


Olá mundo! Você pode se introduzir para nós?


Oi! Eu sou a Pat, tenho 25 anos, sou formada em Direito mas atualmente sou programadora :) Sou uma pessoa ambiciosa, movida a desafios, inconformada e curiosa!


Por que você decidiu estudar Direito? O que te fez querer mudar de carreira, e por que escolheu tecnologia?


Eu escolhi Direito por conta da afinidade que eu tinha desde o colégio por história e português. Inicialmente, minha ideia era fazer concurso, mas ao longo da faculdade, tive algumas experiências de estágio que me fizeram perceber que o ambiente do funcionalismo público não combinava comigo.


Passei um tempo fazendo pós-graduação e trabalho voluntário, depois decidi tentar trabalhar em escritórios de advocacia, mas comecei a me sentir muito frustrada, por fazer muitas atividades repetitivas e sem propósito no meu dia a dia, recebendo um salário baixo e sem grande oportunidade de crescimento.


Decidi, então, remodelar radicalmente a minha própria vida e carreira, mudando de cidade e depois de profissão.


Sempre tive muita afinidade com tecnologia, mas também sempre achei que "não é pra mim", pois não gostava muito de matemática e outras ciências exatas.

Nunca tinha programado nada até o ano passado (2019), quando decidi fazer minha transição de carreira. A minha ideia inicial era aprender a programar para facilitar atividades do meu dia a dia como advogada e facilitar a vida de outras pessoas também, mas conforme o tempo foi passando e eu aprendi mais e mais, me apaixonei pela área e decidi mergulhar de cabeça.

Como você aprendeu a programar e como foi esse processo?


Eu aprendi a programar no curso de desenvolvimento fullstack da Le Wagon. Conheci o curso indo em alguns workshops gratuitos que eles oferecem.


Na época eles estavam lançando uma nova modalidade do curso que era part-time, o que me permitia aprender enquanto continuava trabalhando.

Por eu estar trabalhando (inicialmente com uma atividade completamente não relacionada, que é o Direito), foi um período bem puxado. Foram 6 meses de curso com muitas crises existenciais, muitos "será que eu tomei a decisão certa?", muitos "meu deus, eu sou muito burra, não sei nada", mas também muitas amizades, muitas risadas e muito aprendizado que foi fundamental para eu chegar aonde estou atualmente. Acho que todo processo de aprendizado tem uma curva que pode ser frustrante.


Você começa, lê um pouco, acha que é fácil. Lê mais um pouco, começa a perceber que é mais difícil do que parece. Entra num poço de desespero achando que não sabe nada e nunca vai saber e por fim se recupera e percebe que já aprendeu muito e que ainda tem muito o que aprender, mas que tudo faz parte da trilha.

O mais importante é ser perseverante e não desistir, acreditar no seu potencial.


Como foi o processo de conseguir o seu primeiro emprego em tecnologia?


O meu primeiro emprego como desenvolvedora eu consegui enquanto ainda estava na metade do curso da Le Wagon. Eu conheci um ex-aluno do curso que trabalhava nessa empresa e disse que tinha vaga lá.


Mandei meu currículo pra ele e me ligaram na semana seguinte, depois me passaram um desafio. A vaga era em Python e eu só sabia Ruby até ali. Pensei que não ia conseguir fazer o desafio, nem dei muita importância, mas quis tentar mesmo assim. Em 6 horas, mesmo sem saber nada de Python, eu consegui resolver o desafio que me passaram e fui contratada. Foi nesse momento que eu percebi o quanto eu já tinha aprendido no curso e avançado naqueles poucos meses.


Acho que networking é muito importante para conseguir uma vaga mais júnior, pois o que conta pra júnior não é necessariamente tanto o conhecimento e sim a dedicação e interesse da pessoa. Recomendo focar bastante em soft skills também (comunicação, trabalho em equipe etc), pois a maioria das empresas valorizam muito isso.


Quais decisões você acredita que são importantes tomar, para alguém que está pensando em fazer a transição de carreira?


Pra qualquer grande mudança na vida é importante ter um bom plano, se dedicar e persistir. Isso inclui ter uma reserva de dinheiro, ter um plano A, um plano B, um plano C, conhecer bem a escola ou instituição na qual você está investindo, entender as suas próprias expectativas, dentre outras coisas.


Quando eu tomei a decisão, meu plano principal era aprender a programar. Eu não tinha certeza do que exatamente eu iria fazer com essa skill, mas sabia que o mercado valorizava muito ela (aí a importância da pesquisa de mercado também). Eu pensava em talvez juntar as duas áreas, Direito e programação, e fazer algum programa direcionado à área. Ao mesmo tempo, eu sabia que com o conhecimento que eu iria adquirir, uma gama de novas possibilidades iria se abrir.


No fim, o importante não é ter um caminho 100% certo para seguir à risca, mas fazer o que te faz feliz naquele momento (e isso pode mudar e não tem problema) e confiar nas suas próprias decisões.


Para as advogadas que estão pensando em fazer a transição de carreira, quais dicas você dá a elas?


Eu diria vai fundo!


Não se deixe intimidar por não ser de exatas ou não ter tanto conhecimento ou experiência na área.

Com a dedicação devida, qualquer pessoa (mesmo) pode aprender a programar!


Como é seu dia a dia no trabalho?

Meu dia a dia consiste basicamente em resolver problemas. Sou apaixonada por problemas! Problemas são situações do dia a dia das pessoas que incomodam, atrapalham ou tornam a vida delas mais difícil.


Quem nunca teve aquela coisinha chata que já pensou várias vezes em tentar resolver de outro jeito, mas nunca de fato tentou? Pois então, com a ajuda do meu time, nós mapeamos esses problemas dentro da empresa, nas jornadas das pessoas e tentamos bolar soluções que facilitem ou resolvam.


É um trabalho desafiador e criativo, com muito espaço pra tentar, errar e tentar de novo. Muito mais dinâmico do que cobrar dívidas de quem não tem dinheiro ou esconde ele, diga-se de passagem (meu ex-trabalho como advogada).



Quais são seus planos para o futuro em relação a sua carreira profissional?

Eu não tenho um plano perfeitamente traçado, mas de uma coisa eu sei: quero continuar inspirando pessoas! Quero me tornar uma referência que ajude outras pessoas a chegar aonde eu cheguei. Seja advogando, programando, liderando ou aonde for, quero ser reconhecida pelo meu bom trabalho e dedicação.



Qual seu salário atual e qual seu salário anterior a transição de carreira?


Meu salário atual comparado com o que eu recebia antes de decidir mudar de cidade e de profissão é mais do que 3 vezes maior. Comparado a quando eu trabalhava como advogada em São Paulo e como desenvolvedora na mesma cidade, é 40% maior, num intervalo de apenas alguns meses exercendo a profissão.

 


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